quarta-feira, novembro 01, 2006

Era noite

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Era noite,
a terra parecia recolhida no silêncio
e nós éramos pássaros com medo e com sede.
Alto céu, não tínhamos asas nem água,
apenas as estradas longínquas
e as sombras assustadoras.

Nas varandas não havia lua.
Debaixo dos telhados desertos
nem sequer passos disso me lembro,
nem um berço,
apenas a memória do teu rosto
e de certas palavras, certos sons.

É tarde, não me olhes assim.
N
ão tivémos asas
não abrimos os livros caídos no chão frio
não salvámos nada
a não ser o mistério nos teus olhos
desenhando o absoluto.


#4. Lourdes Castro, fragmento de desenho.

4 comentários:

patas disse...

bom dia,
tanta chuva e tanta luz,
patas

Victor L. disse...

Obrigado,Patas, pelos comentários.

gata malhada disse...

..daar gaat ze op fluwelen voetjes...

Obrigada pelo lindo poema.

Gata malhada

Victor L. disse...

Sou eu que estou grato à gata malhada por dizer...daar gaat ze op fluwelen voetjes...E digo obrigado.